Entrevista: Alejandro (Dragonauta)

dragonauta

Pensar na América do Sul como o abismo de tudo que envolve musica extrema e com qualidade não é errôneo, parece que esse continente está ancorado e só alguns botes conseguem ser vistos pelo horizonte de outros continentes, algum desses botes, tornaram-se embarcações e trocaram pólvora por gigs e tours mundo a fora.

O Intervalo Banger conversou com Alejandro, da já veterana banda de Heavy Doom azul-celeste Dragonauta.

Dotados de muita referência sonora o papo serviu para sacar um pouco além do que ouvimos e conhecer o que motivou e o que ainda motiva esses caras durante os 12 anos de carreira.

Na foto: Alejandro

1. Sempre que o assunto é Hard Rock argentino, bandas mais antigas como Vox Dei, Pappo’s Blues, El Reloj surgem no papo. Como é crescer ouvindo ouvindo rock na Argentina? E essas bandas tiveram alguma influência quando vocês começaram a ouvir musica e depois quando estavam formando o Dragonauta?

Absolutamente sim. Nós crescemos ouvindo essas bandas argentinas de Pré-Heavy Metal, como Pappo’s Blues, Vox Dei, Riff, Polifemo, Manal, V8 e algumas bandas de rock progressivo também, como El Reloj e Invisible.

Atualmente nós reouvimos esses álbuns , especialmente o do El Reloj, para aprendermos novos licks de guitarra, novas estruturas musicais…. eles são demais….Inclusive, o baterista, Locomotora Sposito, foi um dos primeiros bateras ( na década de 70) a usar bumbo duplo como parte substancial de tocar rápido e pesado. E sem se esquecer que eram 3 guitarristas.

2. Além do fato de espanhol ser sua língua mãe, cantar também em espanhol foi uma escolha para agregar à identidade da banda? Como todo o conceito misturando o ocultimo, terror , os riffs pesados e a língua espanhola se convergeram ?

Não realmente, nós cantamos em inglês e espanhol também. Cruz Invertida é 50/50, mas nosso disco novo, Creatruenos é totalmente em inglês.

Aqui na Argentina o publico faz questão que as bandas cantem em espanhol…eu não sei e nem quero saber o porque , já que não é para nós uma decisão em fazer isso ou aquilo…apenas acontece.

3. Ainda sobre a identidade do Dragonauta, eu li que você é um artista plástico e participa de algumas exposições. Isso facilita à explorar o lado artístico não sonoro da banda? Por exemplo, capas de disco, camisetas, vídeos e performances ao vivo… E os outros caras na banda também estão envolvidos com arte?

Sim, claro! Eu tento juntar o conceito da nossa música e letras com a arte ideal à criar uma identidade única. Eu penso que não somos apenas quatro caras tocando musica com uma capa legal.

O Dragonauta é o Dragonauta, como música, a imagem, o que nós dizemos e o que tocamos. El Topo ( baixo e vocal) é fotografo e diretor de cinema. Então nós somos interessados em todas as formas de arte e ciência.

4. A primeira vez que ouvi o Dragonauta foi no split com o Los Natas ( outra banda fodidissima da Argentina). As influências de Black Sabbath com uma veia psicodélica são claras, por outro lado, Cabra Macabra é puro riff pesado, lembrando muito bandas antigas como CELTIC FROST, TROUBLE, VENOM, já no ultimo álbum, Cruz Invertida, parece que tudo isso se misturou. É atmosférico, malvado e muito pesado. Como esse processo criativo funciona para vocês? É tudo jogado num caldeirão efervecente?

Nós mudamos, e tocamos o que sentimos. Todo disco do Dragonauta difere do anterior. Tentamos explorar todos os tipos de sons malvados e pesados que conseguimos extrair de nossos instrumentos, focando em cada musica ou onde queremos chegar em cada musica. E nós ouvimos Dont Break the Oath (Mercyful Fate), Michael Schenker no Scorpions, Hemispheres (Rush) e Killers (Iron Maiden) quando estamos compondo músicas novas.

Cada um de nós tem um jeito de tocar os instrumentos, mais pesado, mais vintage ou mais melódico desse jeito tentamos combinar para que tudo soe bem no Dragonauta.

5. Você pode me dizer um pouco do equipamento de vocês? Porque a maioria das bandas de doom, drone e stoner abusam de amps Sunn ou Orange. E quão fácil é encontrar esses equipos aí na Argentina?

Nada de espetacular saca? Basicamente é ver aquela revista antiga de metal e ver o que o Tony Iommi estava usando. Gibson SG + Laney Amps com o volume infinito. Não usamos nada além disso.

Bem, guitarras Flying V são animais também….Gibson Firebird também, aquela mesma que o Steve Clark usava no Def Leppard antes dele morrer.

6. Ano passado Los Natas (já mencionado no texto) tocou no Roadburn Festival, e senti que ainda existe atenção para a américa do sul, por mais que seja dificil ter o mesmo nível de visibilidade como uma banda nos EUA ou Europa tem. O que você acha disso? De alguma forma ter uma banda é mais desafiador? Você chegaram ou tiveram alguma proposta de fazer uma tour européia?

Bom, essa é, eu acho, a oitava turne européia do Los Natas, então eles mereciam tocar no Roadburn e estamos orgulhosos deles. Eles são grandinhos na europa também.

Sobre o Dragonauta, posso dizer que é uma banda bem respeitada pelo velho continente, mesmo sem ter ido tocar lá. E sobre os desafios tentamos sempre tocar o melhor no que pudemos, compor o melhor da nossa capacidade, esse sim é o desafio, continuar tocando bem e o mais sombrio possivel ate chegarmos á escuridão infinita.

7. Dragonauta tem 12 anos, 3 LPs e 2 splits. O que vem a seguir? Como foi o feedback do Cruz Invertida?

Acabamos de terminar nosso novo álbum, Creatruenos, e será lançado nos próximos meses. Estamos planejando uma turnê perto de Novembro desse ano. E sempre trabalhando em novos riffs, idéias…

O feedback do Cruz Invertida foi ótimo, ótimos resenhas, muita gente interessada na nossa musica e nos álbuns antigos, só precisamos de uma melhor divulgação ou um melhor contrato com alguém que quiser divulgar a palavra do mal oriunda do sul da terra.

8. Cara, não posso deixar de perguntar: Maradona ou Pelé?

Maradona em 91, com barba, vestindo roupas florecentes da Versacce.

9. Somos um site brasileiro, e gostariamos de saber se vocês ouvem alguma coisa daqui.

Claro, Brasil tem uma cena foda para o metal. Sarcófago e Vulcano são minhas favoritas, eles são uma grande influencia para todo mundo no metal. Os primeiros do Sepultura também são ótimos.

A banda mais recente que eu ouvi foi o Em Ruínas, as duas primeiras demos, acho que eles estão para lançar um álbum esse ano….fico no aguardo.

10. Deixe uma mensagem

Listen to Music

1. Def Leppard – On through the night

2. Darkthrone – Ravishing Grimness

3. Morbid – Year of the Goat (Edição fuderosa!!)

4. Ace Frehley – Solo Album 1978

5. Rush – Hemispheres

Elaborada, conduzida e traduzida por: Junera (@octobertide)




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Embaixador do Intervalo Banger no Brasil
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