From the Vaults: Pungent Stench – Dirty Rhymes and Psychotronic Beats

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Não sei se cês tão ligado, mas pra entrar no seleto grupo de escravos da Intervalo Banger Death Corporations é necessário passar por uma dinâmica de grupo. Quando da minha contratação, na primeira vez que estive frente a frente com meus patrões Vakka e El Barón, fui obrigado a dissertar sobre death noventista austríaco e, o que me rendeu muitos pontos, foi citar o esquecido EP Dirty Rhymes and Psychotronic Beats dos mestres do splatter Pungent Stench. True story.

Anyway, não que essa seja um disco dos mais obscuros, mas é ao menos curioso porque, mesmo numa época (metade da década de 90) em que ~EXPERIMENTAÇÕES~ estavam no cardápio do dia para a maioria da cena metal, ele vai um pouco a frente e traz uma versão TECHNO HOUSE (!!!) de um dos maiores clássicos da banda. Ah sim, é bom lembrar que isso aconteceu uma década e meia antes da invenção da ironia, então o lance aqui era à sério memo! E na real, quem conhece o trio sabe que eles não tavam afim de fazer piada e que curtiam uma música eletrônica. É famosa a entrevista que saiu numa revista de rock da época onde, perguntados sobre as bandas que eles ouviam, os caras citam uma pá de grupos de rap old school, tipo Fat Boys e Run DMC.

Mas daí você pode me falar “aaaah, mas mau gosto por mau gosto o Morbid Angel lançou um disco inteirinho com essa mistura nefasta!”. Ok, não discuto a bregosidade da coisa, mas a favor do Pungent Stench está o fato de que, em 94 quando o disco foi lançado, techno era ainda um estilo tão underground quanto o death metal. Bizarro vendo por esse lado, né?

O EP ainda conta com um cover do Mentors, outro do projeto eletrônico vanguardista alemão Warning, mais uma mix diferente pra “Blood, Pus and Gastric Juice” e mais três sons próprios. “Praise the Names of Musical Assassins” abre o EP e é quase uma intro, com uma levada estranha, vocais distorcidos, samplers, bateria eletrônica e teclado, chegando a lembrar um Kraftwerk death; Já em “Viva La Muerte” e “Horny Little Piggy Bank” rola um pique total death n’ roll com uns wah wah e riffs hardcore. As duas primeiras faixas do play, por sinal, aparecem também num VHS lançado pela banda no mesmo ano, o Video La Muerte. A reedição do EP lançada pela Nuclear Blast em 2001 traz ainda um medley de covers do Drahdiwaberl, uma espécie de Gwar mais antigo e mais politizado.

 

E é claro que, em se tratando do Pungent Stench, a capa era essa maravilha retratada acima. Uma das coisas mais agressivas que os caras já tiveram a manha de estampar, com essa obesa mórbida lindíssima das peitola caída cheia de ferida segurando uns cutelos. Que primor!

 



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Por: xmenezesx Veja todos os posts do
Ex-membro da Gangue dos Dobbermans
  • Anonymous

    cacete de aguia, q post animal! num manjava este play não sr. Menezes.

  • http://www.facebook.com/people/Luiz-Henrique/649437481 Luiz Henrique

    vou ter q discordar um tantinho do post,  o Pugent sempre foi ironico e fanfarrão, o lance de meter um som eletronico foi fanfarronice pura, mesmo eles sendo fans do estilo. e o tecno desde sua criaçao sempre foi o som da balada e sempre bombou em todo lugar do mundo como um som comercial, nada underground, apesar de haver vertentes menos conhecidas, mais para pessoas especificas, mas no geral sempre foi um som comercilazao.
    na verdade bandas q fazem essa mistura hj eh q levam a serio, como um verdadeiro estilo musical. mas na epoca garanto q foi fanfarronice pura do PS.

    • Xmenezesx

      Luiz Henrique, posso até concordar que eles fizeram de fanfarronice, mas o que quis dizer é que eles não escolheram algo que eles detestavam usando de ironia hipster. Na época, me pareceu mais um caso de “ia ser louco se a gente fizesse isso porque é totalmente inesperado e pode emputecer os mais ortodoxos”. Além disso, quando disse que o bang era “à sério”, me referia ao fato de que eles de algum modo pensaram o remix, e o fizeram dentro do estilo proposto, não como um pastiche, uma piada.

      Os caras realmente curtiam um som eletrônico, visto o cover do Warning, só não se levavam tão à sério – mas até aí, eles não se levavam à sério nem mesmo fazendo o que faziam de melhor, hehehe!

      Quanto ao techno ter sempre sido um som comercialzão, eu discordo. Na época em que o Techno surgiu, o som da balada era o que se convencionou chamar de Eurodance. O Techno surgiu na Inglaterra ali na mesma época que a Acid House e era um lance underground, sim! O som tocava em festas underground organizadas por um pessoal que anos antes fez parte daquela cena Madchester do Stone Roses e Happy Mondays. O lance é que o estilo se tornou popular bem rápido, porém, nos mesmos termos em que o próprio death metal também se tornou bem popular em 93, 94, com bandas sendo capas das principais revistas de rock e assinando com majors.

      Abs

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